A procura por profissionais de Terapia Ocupacional vem crescendo no Brasil e abre novas possibilidades para quem deseja atuar na área da saúde. Nos últimos dois anos, a contratação formal de terapeutas ocupacionais aumentou mais de 35% no país, segundo dados divulgados pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO). O crescimento acompanha mudanças no perfil da população e a ampliação da demanda por serviços de reabilitação, inclusão, saúde mental e promoção da autonomia.
A Terapia Ocupacional atua diretamente na relação das pessoas com suas atividades cotidianas. O terapeuta ocupacional pode auxiliar indivíduos que apresentam dificuldades para realizar tarefas como tomar banho, alimentar-se, vestir-se, estudar, trabalhar, organizar a rotina ou participar de atividades sociais. A atuação considera as necessidades de cada pessoa e busca favorecer autonomia, participação e qualidade de vida.
Por que a procura por terapeutas ocupacionais está aumentando?
Entre os fatores que ajudam a explicar o crescimento do mercado de trabalho está o envelhecimento da população brasileira. O aumento da expectativa de vida amplia a necessidade de cuidados relacionados à funcionalidade, à independência e à participação social das pessoas idosas.
Outro fator é a maior identificação de condições que podem demandar acompanhamento multiprofissional. O Censo 2022, por exemplo, investigou pela primeira vez a existência de diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e identificou 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo no Brasil, o equivalente a 1,2% da população. Entre crianças de 5 a 9 anos, a proporção chegou a 2,6%.
A atuação do terapeuta ocupacional pode integrar o acompanhamento de pessoas com TEA, especialmente em aspectos relacionados à participação nas atividades cotidianas, autonomia, regulação sensorial, desenvolvimento de habilidades e adaptação de ambientes e tarefas. A necessidade de atendimento, entretanto, varia de acordo com as características e demandas de cada pessoa.
O envelhecimento também representa uma frente importante. Segundo o COFFITO, o Brasil já possui cerca de 34 milhões de pessoas idosas, correspondendo a aproximadamente 15% da população. A mudança demográfica amplia a importância de profissionais preparados para atuar em áreas como gerontologia, reabilitação e promoção da independência funcional.

Terapia Ocupacional no Piauí: demanda e falta de profissionais
No Piauí, o cenário chama atenção pela diferença entre a demanda potencial da população e a quantidade de profissionais disponíveis.
Dados divulgados pelo CREFITO-14 em parceria com o COFFITO apontavam, em 2022, cerca de 120 terapeutas ocupacionais registrados no estado para uma população de aproximadamente 3,3 milhões de habitantes. Na época, o conselho também destacava que diversos municípios piauienses não contavam com terapeutas ocupacionais e que os profissionais estavam concentrados principalmente na capital.
O cenário de necessidade de atendimento pode ser observado também a partir dos dados mais recentes sobre pessoas com deficiência e autismo. O Censo 2022 identificou 297.694 pessoas com dois anos ou mais de idade com dificuldades funcionais no Piauí, considerando aspectos como visão, audição, mobilidade, coordenação motora e cognição e comunicação.
Quando o recorte é o Transtorno do Espectro Autista, o estado registrou 37.856 pessoas que declararam ter recebido diagnóstico de TEA, número correspondente a 1,2% da população piauiense. Entre elas, 16.354 eram crianças e adolescentes de 0 a 14 anos.
A própria ampliação da estrutura de atendimento no estado demonstra o tamanho da demanda. Em 2025, o Piauí inaugurou o primeiro Centro Especializado de Atendimento às Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (Cetea), com capacidade anunciada de 8 mil atendimentos por mês, voltado à oferta de diagnóstico, terapias e acompanhamento especializado.
Os números ajudam a dimensionar um mercado que ainda apresenta espaço para novos profissionais, principalmente fora da capital. A existência de uma demanda distribuída entre diferentes públicos e municípios cria oportunidades em serviços públicos e privados, clínicas, hospitais, escolas, centros de reabilitação e instituições de longa permanência.
Onde um terapeuta ocupacional pode trabalhar?
A diversidade de áreas de atuação é outro fator que contribui para o crescimento da profissão. O terapeuta ocupacional pode trabalhar em hospitais, clínicas, centros de reabilitação, escolas, ambulatórios, creches, instituições de longa permanência, serviços de saúde mental e atenção básica, além de outros espaços relacionados à saúde, educação e assistência social.
Entre as possibilidades de atuação estão:
- Neurologia e reabilitação: acompanhamento de pessoas que tiveram lesões ou alterações que afetam sua funcionalidade;
- Terapia Ocupacional infantil: desenvolvimento de habilidades e autonomia de crianças com diferentes necessidades;
- TEA e desenvolvimento infantil: acompanhamento de aspectos relacionados à participação, autonomia e atividades cotidianas;
- Gerontologia: promoção da independência e qualidade de vida da população idosa;
- Saúde mental: atuação com pessoas que enfrentam diferentes condições e necessidades psicossociais;
- Contexto hospitalar: apoio à recuperação funcional e à retomada das atividades;
- Inclusão escolar: adaptação de atividades, ambientes e recursos para favorecer a participação dos estudantes;
- Atenção básica e saúde pública: atuação na prevenção, promoção da saúde, reabilitação e inclusão.
Quanto ganha um terapeuta ocupacional?

A remuneração de um terapeuta ocupacional varia conforme experiência profissional, especialização, área de atuação, carga horária, localidade e vínculo empregatício. Também existem diferenças significativas entre a atuação no serviço público, contratos CLT, clínicas particulares e trabalho autônomo.
Por isso, não há um único salário que represente toda a profissão. Para quem está escolhendo uma carreira, além da remuneração inicial, é importante considerar a possibilidade de especialização e atuação em diferentes áreas da saúde.
Formação em Terapia Ocupacional
Para atuar como terapeuta ocupacional, é necessário concluir a graduação em Terapia Ocupacional e cumprir os requisitos profissionais para o exercício da profissão. A formação envolve conhecimentos relacionados à saúde, desenvolvimento humano, funcionalidade, atividades cotidianas, reabilitação e diferentes contextos de atuação.
Durante a graduação, o estudante também entra em contato com diferentes públicos e cenários profissionais, o que permite conhecer possibilidades de carreira e compreender a atuação integrada com outras áreas da saúde.
No Piauí, a ampliação da oferta de formação na área representa uma oportunidade para aumentar o número de profissionais disponíveis no estado e, consequentemente, contribuir para a expansão do acesso à Terapia Ocupacional.
Um mercado em transformação
O crescimento da contratação de terapeutas ocupacionais, a mudança no perfil demográfico brasileiro e a ampliação das demandas relacionadas à deficiência, ao envelhecimento e ao desenvolvimento infantil apontam para um mercado com novas possibilidades de atuação.
No Piauí, a combinação entre demanda por atendimento especializado e número ainda reduzido de profissionais reforça a necessidade de ampliar a formação na área. Para quem busca uma profissão da saúde com diferentes possibilidades de atuação, a Terapia Ocupacional surge como uma alternativa que acompanha necessidades concretas da população e um mercado em expansão.
